Estilo

Como ter um guarda-roupas inteligente

Eu falo muito sobre armário-cápsula mas na realidade eu não tenho um. Eu aprendi muito com o método e descobri que a melhor forma de aplicar isso na minha vida é planejando o que comprar, conhecendo melhor meu estilo e entendendo que guarda-roupas lotado não quer dizer guarda-roupas eficiente. Reduzi muito a quantidade de roupas que tenho nos últimos tempos, depois que comecei a pesquisar e entender mais sobre o AC, mas não tenho apenas 37 peças (ou 36? nunca lembro). De qualquer forma, o número é o menos importante nesse processo.

A coisa mais legal que aprendi é não comprar nada por impulso. Quando comecei a curtir a ideia da jaqueta jeans overzized por exemplo eu fui na loja, olhei, voltei pra casa, pesquisei looks no Pinterest, olhei o que tinha no guarda-roupas pra ver se minhas coisas combinavam com essa peça e só então – depois de ter certeza de que seria uma boa compra e eu usaria bastante – voltei na loja e comprei. Esse “ritual” antes de comprar já faz parte da minha vida e fez com que eu nunca mais comprasse uma peça e acabasse não usando por não ter nada a ver com o que eu já tenho. Ta bom, nenhum método é infalível, acabei comprando uma sapatilha lace up que achei que seria meu maior achado e acabei não conseguindo usar. Mas aí o que eu fiz? Coloquei aqui na minha lojinha no Enjoei e vou passar adiante, porque se eu não uso não preciso ter.

Lendo alguns livros sobre estilo pessoal e guarda-roupas inteligente descobri que as duas coisas estão muito ligadas uma a outra. Como descobrir seu estilo pessoal se você abre o armário e um milhão de peças de estilos diferentes totalmente desconectadas que você comprou só porque estavam em liquidação caem em cima de você? Impossível. Vira um emaranhado de coisas que não dizem nada sobre quem você é e que não combinam entre si, fazendo com que você chegue ao ponto de dizer que não tem roupas mesmo não conseguindo colocar mais UMA peça pra dentro do armário. Se você chegou nessa situação extrema te digo: calma que tem volta. Você só precisa se conhecer melhor e praticar o desapego. Se você não sabe por onde começar aqui vão algumas dicas:

/1. Desapegue! Acredite, não tem como começar de outra forma e pra tornar mais fácil essa parte eu recomendo muito que você leia o livro A Mágica da Arrumação, da Marie Kondo. A Marie sugere que você pegue todas as suas peças de roupa – incluindo as que estão perdidas pela casa, no cesto de roupas sujas – coloque todas no chão onde você consiga ver e olhe todas elas com atenção. Depois pegue cada peça nas mãos e se pergunte “isso me traz alegria?”. Tente lembrar também quantas vezes usou essa peça no último ano e como se sentiu usando. Você se sentiu linda? Se a resposta for não, é hora de se desfazer dela.

/2. Conheça o que você tem. Depois de ter mandado embora todas as roupas compradas por impulso e que não tinham nada a ver com você é hora de dar atenção especial ao que ficou no seu armário. Podem ser poucas peças comparado ao que você tinha quando começou esse processo, mas com certeza essas peças dizem alguma coisa sobre você. Ficaram somente as peças que te deixam feliz e fazem você se sentir linda, então analise elas com carinho e descubra o que elas têm em comum. Qual o estilo dessas peças? Quais as cores? Você vai acabar descobrindo se gosta mais de modelagens mais justas ou amplas, de que cores e estampas gosta, se você prefere peças mais básicas ou mais ousadas. Você vai começar a entender seu estilo, o que te agrada.

/3. Pesquise referências sobre o estilo com o qual você se identificou. Talvez você tenha percebido que gosta de um visual com peças mais amplas e confortáveis, sapatos sem salto e t-shirts, por exemplo. Agora vá para o Pinterest e comece a criar painéis com looks casuais compostos por peças como as que você tem. Esteja consciente do seu dia-a-dia nesse momento e pesquise produções que se encaixem na sua rotina e estilo de vida, não salve um monte de inspirações com salto alto se você vai caminhando para o trabalho, por exemplo. Não basta ser bonito, tem que funcionar na vida real!

/4. Crie uma paleta de cores. Veja aquilo que você tem no guarda-roupas e as suas referências e depois crie uma paleta de cores a partir disso. O que torna o seu guarda-roupas versátil é ter uma base feita de peças neutras e adicionar toques de cor em peças específicas. Selecionar algumas cores complementares é legal para você não se perder e acabar comprando roupas em cores que não tem nenhuma harmonia entre si. Você pode criar uma boa paleta de cores com três cores neutras e três mais marcantes, por exemplo: preto, branco e cinza + rosa claro, marsala e caramelo.

/5. Planeje. Já falei sobre isso lá no início do post mas vale a pena reforçar. Quando você criou seus painéis de referência e imaginou as composições que gostaria de criar usando as peças que já tem no guarda roupas sentiu falta de alguma coisa? Talvez uma saia midi combinaria com várias das suas roupas, uma jaqueta jeans que combina com quase tudo. Invista principalmente em itens básicos e de qualidade pois eles vão ficar com você por muitas estações mesmo que as tendências mudem. Depois de analisar e ver o que você realmente precisa comprar para complementar o que já tem pesquise boas marcas que cabem no seu bolso e faça as compras necessárias. Tudo com muito critério, nada por impulso.

Agora que você já tem mais conhecimento sobre o seu estilo próprio e tem um guarda roupas que funciona para o seu cotidiano, tome cuidado para não voltar aos velhos hábitos e acabar acumulando mais do que precisa novamente. Busque se conhecer melhor para ir aperfeiçoando seu estilo com o decorrer do tempo, mas evite comprar muitas coisas fora do que planejou quando montou seu armário da estação. A cada nova estação repita esse processo todo, você vai ver como as compras por impulso vão diminuir e você vai se sentir muito mais confiante para se vestir, sabendo que suas roupas realmente representam quem você é. <3