Cotidiano

Simplificando

Estou num processo de simplificar a vida já faz algum tempo, simplificar no sentido de gastar menos tempo e energia com aquilo que não é prioridade pra mim. Entendo que mesmo as coisas que tem importância na minha vida podem ser mais simples e com isso trazer mais leveza, menos estresse e menos ansiedade.

Sempre gostei do meu cabelo cacheado, mas quando decidi cortar ele curtinho foi pensando em todo tempo e estresse que iria economizar, além de sempre ter amado esse tipo de corte. E desde então eu praticamente não me preocupo com o que fazer com meu cabelo. Minha rotina com ele tem sido lavar, secar e finalizar de forma bem simples a cada dois dias e cortar a cada 45 dias mais ou menos. Lavar e secar se tornou super prático e o resultado geralmente me deixa feliz. Ainda reservo alguns momentos na semana para hidratar um pouco melhor e finalizar ele com mais cuidado, mas agora faço isso como uma terapia, um momento de cuidado comigo mesma e não uma obrigação.

Depois do cabelo (ou durante, na verdade) foi a vez do guarda roupas. Apesar de já ter mudado muito minha forma de consumir e minha relação com as roupas nos últimos anos, resolvi finalmente criar meu armário-cápsula. Decidi iniciar esse processo não pensando no número ou porque é “tendência” ter um guarda-roupas reduzido, mas porque queria mais praticidade na hora de me vestir. Tendo menos opções, gasto menos tempo e energia escolhendo o que vestir pela manhã e as crises de “não tenho roupa” ficaram beeem menos frequentes. Tenho poucas peças, mas são roupas que eu realmente amo e me sinto feliz usando.

Comprar pensando em qualidade e no processo de fabricação da roupa é algo novo pra mim e tem sido uma experiência e tanto, teve um impacto em mim que eu jamais poderia imaginar quando tomei essa decisão. É gostoso comprar uma peça que sei que vai durar mais, que sei como foi produzida e algumas vezes sei até por quem foi (Libe Store <3). É gratificante saber que aquele dinheirinho suado que trabalhei pra conseguir vai ir pro bolso de alguém que também tá empreendendo, construindo seu sonho, buscando produzir de forma justa ao invés de ir pra conta dos donos de lojas enormes que já tem tanto e ainda exploram pessoas pra continuar no topo.

Esses dias me perguntaram se foi muito difícil o processo de desapego e quando paro pra pensar vejo que não foi tão difícil assim. Desde o começo parecia fazer muito sentido para o estilo de vida que eu quero pra mim então foi algo que aconteceu naturalmente, por isso o resultado tem sido ótimo. Primeiro foi o meu modo de pensar sobre consumo que mudou e isso refletiu nas roupas e em outras áreas da minha vida também.

Lá em casa nós também buscamos uma vida mais simples. Eu e o Lucas optamos por alugar um apartamento mais próximo de tudo pra poder nos desfazer do carro que tínhamos e apesar do medo inicial de se arrepender da decisão, todos os dias eu fico feliz pelo caminho que tomamos e por dividirmos a mesma visão sobre a vida que queremos. Pode parecer contraditório pra muita gente, mas depois de vender o carro nos sentimos muito mais livres. A gente anda de ônibus, de metrô, de Uber e de taxi pra todo lado e nesses quatro meses não deixamos de ir a nenhum lugar por falta de transporte. A gente caminha bem mais e nossa saúde melhorou por causa disso. Não nos preocupamos com o preço da gasolina, o valor do IPVA, a revisão que precisa ser feita ou os pneus que precisam ser trocados. Quando a gente sai ficamos tranquilos ao invés de ficar pensando se o lugar onde estacionamos é seguro ou não. TRANQUILIDADE foi o maior ganho.

Quando escolhemos o apartamento pra morar, decidimos por um pequeninho mas bem localizado. Nosso objetivo era não acumular muitas coisas, por isso quanto menor o espaço, melhor! Desde que a gente possa ter o que é realmente importante pra nós, está ótimo. Nosso apartamento é amplo o suficiente pra acomodar as nossas coisas, mas é pequeno o bastante pra gente pensar duas vezes antes de comprar algo que não é prioridade, afinal nosso espaço é precioso. Manter tudo organizado se tornou mais simples, fazer a faxina no fim de semana é muito mais rápido e sobra mais tempo pra gente relaxar e curtir a nossa casa. Isso é uma coisa nova pra nós dois que até pouco tempo atrás vivíamos sempre correndo, ocupados, trabalhando até 12 horas por dia, 7 dias por semana pra conseguir adquirir COISAS. Hoje a gente dá mais valor pro ser do que para o ter, se importa mais com os momentos que a gente vive e menos com as coisas que tem, embora até isso tem sido diferente porque aquilo que temos passa a ter mais significado.

Essa troca de “coisas” por mais tempo e menos preocupação está me fazendo um bem enorme e sinto que tô no caminho do que eu desejo pra minha vida. Tô aprendendo que a gente não precisa de muito pra ser feliz, desculpem o clichê. <3

 

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