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Literatura

Moda com Propósito

O livro Moda com Propósito, do André Carvalhal, é um daqueles que a gente demora pra terminar de ler. Não que a leitura seja pesada ou difícil, mas porque é tanto aprendizado em cada página – MAS TANTO MESMO – que eu não queria que acabasse. Fui lendo aos poucos, duas páginas aqui e três ali, e tentando absorver toda a informação que estava bem ali na minha frente. Posso dizer que esse foi um dos livros que me transformou, foi como se um novo mundo se abrisse diante de mim e tudo passasse a fazer sentido.

Moda com Propósito não fala sobre moda e tendências do que estamos acostumados. Não é sobre a próxima trend que as pessoas vão desejar, não é sobre uma peça que você vai “precisar ter” no próximo inverno. Definitivamente não. É sobre o oposto. O André traz todo um contexto sobre um novo momento da moda que já estamos começando a viver e sobre o fim da moda que a gente conhece. Os recursos pra produzir roupa da forma alucinada que a gente vê estão se esgotando e as pessoas já estão começando a se cansar (ainda bem) de um novo “tem-que-ter” a cada semana. Qual o sentido disso? Até quando a gente pode continuar comprando roupa por impulso e descartando sem dó? Qual valor isso traz pras nossas vidas? São questões né mores, questões que inquietaram meu coraçãozinho de um jeito que eu jamais imaginei.

Como resposta a esse novo cenário surgem marcas e empresas dispostas a fazer moda de um jeito diferente. Com causas genuínas e não só jogadinhas de marketing (que o consumidor já sabe de longe diferenciar, né não?). Marcas preocupadas em produzir de forma justa, tendo uma relação saudável com seus colaboradores. Interessadas em usar matéria prima que não agride o meio ambiente, em tingir tecido sem poluir, em usar parte do lucro pra apoiar quem precisa e por aí vai. E o consumidor também tá mudando, ele não tá mais interessado só no produto final que a marca tem pra oferecer mas ele quer se identificar de verdade com o propósito dela – yey!

Esse livro me trouxe mais do que uma nova visão, mas me trouxe esperança, sabe? Que tem jeito sim, que as pessoas estão começando a desacelerar, a buscar qualidade de vida, querem colaborar umas com as outras, querem transformar. Essa leitura me fez ter vontade de buscar mais propósito em tudo aquilo que me disponho a fazer, no que escrevo aqui nesse blog, na minha carreira, em tudo. E o melhor de tudo é que se a gente presta atenção começa a ver essa mudança acontecer aqui, pertinho da gente. É a marca de slow fashion que produz em pequena escala e de forma justa, peças feitas pra durar. É a amiga que abriu uma empresa de comunicação em que cada cliente pode indicar uma instituição pra receber o mesmo trabalho de qualidade e de graça. É a colega que contou que onde ela mora estão fazendo uma horta colaborativa onde todo mundo ajuda e se beneficia de alimentos orgânicos e ainda compostam o lixo pra virar adubo. Tá acontecendo mesmo. Isso dá um calorzinho no coração e ainda mais vontade de fazer parte da mudança.

Mesmo que você não trabalhe com moda, o aprendizado desse livro é pra vida. E nessa mesma vibe, já aproveito pra indicar um documentário excelente que também fala sobre construir o mundo que a gente quer. Se chama Demain e tem no Netflix, saiu uma resenha sobre ele aqui no UASL.

O André Carvalhal também escreveu A Moda Imita a Vida que eu pretendo ler logo logo. Se você já leu, me conta o que achou 🙂

Estilo

Como saber se uma roupa é versátil?

Quem tem um guarda-roupas reduzido sabe que VERSATILIDADE é a palavra chave para se sair bem. A gente evita ao máximo aquelas peças quem só têm uma ou duas combinações possíveis ou que a gente precisa ficar horas na sofrência de frente pro armário pensando em como usar. O que a gente quer é praticidade, então como saber antes de comprar se uma peça vai atender ao que a gente precisa?

Consegue montar mentalmente pelo menos 3 looks sem muito esforço? Pense no que já tem no armário e tente montar rapidinho alguns looks, quanto maior o número de combinações melhor! Foi fácil? Se a resposta for sim, provavelmente você vai conseguir usar essa peça no dia-a-dia com a mesma facilidade.

Poderia usar essa peça em diferentes estações do ano? Claro que existem peças como casacos de lã mais pesados que jamais serão usados no verão, mas alguns tipos de roupa podemos usar praticamente o ano inteiro. Por exemplo, um vestidinho que da pra usar tranquilamente com rasteirinha no verão e se acrescentar meia calça, uma botinha e uma jaqueta temos um look de outono/inverno. Pra que a gente tenha versatilidade nesse sentido é importante prestar atenção aos tecidos e modelagens que se adaptam bem em diversas temperaturas.

Essa peça pode ser usada em diferentes situações/lugares que você frequenta? Uma peça versátil é aquela que, com os acessórios certos, pode se transformar de casual a arrumadinha com facilidade. Por muito tempo essa peça do guarda-roupas feminino foi o pretinho básico mas hoje não precisamos nos limitar a ele. Tenho certeza que quando leu você visualizou mentalmente alguma roupa sua, que já usou tanto pra um passeio informal quanto em uma festa.

Você se imagina usando essa peça ano que vem sem parecer “fora de moda”? E daqui dois anos? E três? Procure ser fiel ao seu próprio estilo na hora de comprar e não às tendências que passam tão rapidamente nesse momento da moda que estamos vivendo. Quanto mais tempo uma peça durar no seu guarda-roupas e continuar sendo atual, mais valerá o investimento que você fez ao comprar, os recursos usados pra produzir e tudo mais que esteve envolvido desde a criação da peça até ela chegar ao seu armário. E, é claro, mais versátil ela é!

É legal você se questionar sobre essas coisas antes mesmo de ir até uma loja. Planeje suas compras depois de avaliar com carinho o que já tem, pense no que faz sentido pra você, se questione. É assim que a gente começa a consumir com mais consciência. <3

Cotidiano

Minimalismo – Um documentário sobre as coisas importantes

O documentário Minimalismo – Um documentário sobre as coisas importantes (Minimalism – a documentary about the important things na versão original) tá disponível no Netflix desde abril e decidi assistir porque me indicaram dizendo que falava um pouquinho sobre armário-cápsula. Eu que só estava interessada nessa parte quando dei o play me surpreendi bastante. Aliás, mais que uma surpresa, foi como se várias coisas que eu já vinha pensando começassem a fazer mais sentido.

Minimalism fala sobre dois caras que trocaram sua carreira em uma grande empresa por uma vida mais simples e que agora se dedicam a disseminar a cultura do minimalismo. Eles experimentaram  ter tudo que a maioria das pessoas deseja: ótimo emprego, uma casa grande e cheia de móveis legais, muitas roupas, sapatos, muitas COISAS. Mas tinham mais uma coisa em comum: se sentiam vazios e tristes, como se não vissem sentido no que faziam. Eles trocaram isso tudo por uma vida com menos coisas e descobriram como era se sentir realmente livre.

Ao longo do documentário surgem também outras pessoas contando suas experiências com uma vida mais simples. Gente que se mudou pra uma casa pequenininha com só algumas peças de roupa e diz que nunca se sentiu tão feliz, ou então a moça que resolveu passar 3 meses vestindo só 33 peças e descobriu que NINGUÉM REPARAVA. Enfim, histórias que fazem a gente pensar em por que fazemos o que fazemos, por que compramos o que compramos, porque achamos que nossa felicidade está diretamente ligada a adquirir coisas.

Não é fácil desconstruir o pensamento de que comprar coisas é sinônimo de ser bem sucedido ou que você precisa de um guarda roupas lotado pra se vestir bem e ser aceito. O documentário vale muito a pena pela reflexão que ele faz, pelo empurrãozinho pra buscar uma vida com mais propósito e repensar como estamos acostumados a viver.

Favoritos

Favoritos #4

Meus favoritos hoje são todos nesse tom de rosinha que em alguns casos parece mais um nude fofo. Rosa sempre foi minha cor favorita mas confesso que parei de usar por achar que me deixava muito infantil. O fato é que por ter usado a vida inteira eu também meio que enjoei da cor, mas por esse tom de rosinha que continuo apaixonada ~suspiros. 

 

/1.

Calça de alfaiataria é uma peça que pretendo agregar no meu guarda roupas daqui um tempinho. Nunca fui muito desse tipo de calça, mas quando comecei a procurar opções pra deixar um pouco de lado o jeans comecei a perceber o quanto uma peça assim pode ser versátil. Não sei se compraria nesse tom, mas essa tá linda demais.

/2.

Criei um painel no Pinterest com ideias de tatuagens e quase todas são florais. Essa é especialmente linda e me fez pensar por um minuto em realmente me tatuar, já que atualmente não tenho nenhuma. Essas cores, esse traço, essa delicadeza <3

/3.

Saia jeans meio 90′ com brusinha quentinha. Que look mais fofo pro outono.

/4.

Maquiagem em tons terrosos e rosados, com olho bem iluminado e um batom que é quase nada mas dá uma carinha de saúde. Gostei também da sobrancelha mais natural e bagunçadinha, porque tô um pouco cansada dessas super artificiais que a gente tem visto tanto.

/5.

Faz tempo que tenho vontade de jogar meu guarda roupas literalmente pela janela. Pra mim aquele móvel enorme ocupando um espaço gigante no quarto não faz mais sentido e queria muito aplicar alguma solução assim aqui em casa. Como eu e o mozão não temos tantas roupas acredito que daria certo, mas ainda não entramos em um consenso sobre isso. Aguardemos os próximos capítulos.

 

Cotidiano

Simplificando

Estou num processo de simplificar a vida já faz algum tempo, simplificar no sentido de gastar menos tempo e energia com aquilo que não é prioridade pra mim. Entendo que mesmo as coisas que tem importância na minha vida podem ser mais simples e com isso trazer mais leveza, menos estresse e menos ansiedade.

Sempre gostei do meu cabelo cacheado, mas quando decidi cortar ele curtinho foi pensando em todo tempo e estresse que iria economizar, além de sempre ter amado esse tipo de corte. E desde então eu praticamente não me preocupo com o que fazer com meu cabelo. Minha rotina com ele tem sido lavar, secar e finalizar de forma bem simples a cada dois dias e cortar a cada 45 dias mais ou menos. Lavar e secar se tornou super prático e o resultado geralmente me deixa feliz. Ainda reservo alguns momentos na semana para hidratar um pouco melhor e finalizar ele com mais cuidado, mas agora faço isso como uma terapia, um momento de cuidado comigo mesma e não uma obrigação.

Depois do cabelo (ou durante, na verdade) foi a vez do guarda roupas. Apesar de já ter mudado muito minha forma de consumir e minha relação com as roupas nos últimos anos, resolvi finalmente criar meu armário-cápsula. Decidi iniciar esse processo não pensando no número ou porque é “tendência” ter um guarda-roupas reduzido, mas porque queria mais praticidade na hora de me vestir. Tendo menos opções, gasto menos tempo e energia escolhendo o que vestir pela manhã e as crises de “não tenho roupa” ficaram beeem menos frequentes. Tenho poucas peças, mas são roupas que eu realmente amo e me sinto feliz usando.

Comprar pensando em qualidade e no processo de fabricação da roupa é algo novo pra mim e tem sido uma experiência e tanto, teve um impacto em mim que eu jamais poderia imaginar quando tomei essa decisão. É gostoso comprar uma peça que sei que vai durar mais, que sei como foi produzida e algumas vezes sei até por quem foi (Libe Store <3). É gratificante saber que aquele dinheirinho suado que trabalhei pra conseguir vai ir pro bolso de alguém que também tá empreendendo, construindo seu sonho, buscando produzir de forma justa ao invés de ir pra conta dos donos de lojas enormes que já tem tanto e ainda exploram pessoas pra continuar no topo.

Esses dias me perguntaram se foi muito difícil o processo de desapego e quando paro pra pensar vejo que não foi tão difícil assim. Desde o começo parecia fazer muito sentido para o estilo de vida que eu quero pra mim então foi algo que aconteceu naturalmente, por isso o resultado tem sido ótimo. Primeiro foi o meu modo de pensar sobre consumo que mudou e isso refletiu nas roupas e em outras áreas da minha vida também.

Lá em casa nós também buscamos uma vida mais simples. Eu e o Lucas optamos por alugar um apartamento mais próximo de tudo pra poder nos desfazer do carro que tínhamos e apesar do medo inicial de se arrepender da decisão, todos os dias eu fico feliz pelo caminho que tomamos e por dividirmos a mesma visão sobre a vida que queremos. Pode parecer contraditório pra muita gente, mas depois de vender o carro nos sentimos muito mais livres. A gente anda de ônibus, de metrô, de Uber e de taxi pra todo lado e nesses quatro meses não deixamos de ir a nenhum lugar por falta de transporte. A gente caminha bem mais e nossa saúde melhorou por causa disso. Não nos preocupamos com o preço da gasolina, o valor do IPVA, a revisão que precisa ser feita ou os pneus que precisam ser trocados. Quando a gente sai ficamos tranquilos ao invés de ficar pensando se o lugar onde estacionamos é seguro ou não. TRANQUILIDADE foi o maior ganho.

Quando escolhemos o apartamento pra morar, decidimos por um pequeninho mas bem localizado. Nosso objetivo era não acumular muitas coisas, por isso quanto menor o espaço, melhor! Desde que a gente possa ter o que é realmente importante pra nós, está ótimo. Nosso apartamento é amplo o suficiente pra acomodar as nossas coisas, mas é pequeno o bastante pra gente pensar duas vezes antes de comprar algo que não é prioridade, afinal nosso espaço é precioso. Manter tudo organizado se tornou mais simples, fazer a faxina no fim de semana é muito mais rápido e sobra mais tempo pra gente relaxar e curtir a nossa casa. Isso é uma coisa nova pra nós dois que até pouco tempo atrás vivíamos sempre correndo, ocupados, trabalhando até 12 horas por dia, 7 dias por semana pra conseguir adquirir COISAS. Hoje a gente dá mais valor pro ser do que para o ter, se importa mais com os momentos que a gente vive e menos com as coisas que tem, embora até isso tem sido diferente porque aquilo que temos passa a ter mais significado.

Essa troca de “coisas” por mais tempo e menos preocupação está me fazendo um bem enorme e sinto que tô no caminho do que eu desejo pra minha vida. Tô aprendendo que a gente não precisa de muito pra ser feliz, desculpem o clichê. <3